No mundo das empresas, o homem é treinado para ser uma espécie de porto seguro inabalável. Espera-se que ele seja o pilar que sustenta as metas, a equipe e as crises, sem nunca deixar transparecer a própria hesitação. Mas existe uma pergunta que raramente é feita nos corredores: o que acontece com esse homem quando as luzes do escritório se apagam?

A literatura sobre as angústias da vida atual nos mostra que o sofrimento masculino no trabalho raramente aparece como um pedido de ajuda. Ele surge como um cansaço que não passa, uma irritabilidade constante ou aquela sensação de que você está "atuando" o tempo todo.

A armadura da eficiência

Para muitos de nós, a masculinidade se tornou uma ferramenta de trabalho. Aprendemos que ser homem é ser produtivo, resolvido e, acima de tudo, útil. O problema é que, quando você se vê apenas como uma "ferramenta" de sucesso, você começa a desaparecer como pessoa.

Na psicologia, notamos que o ambiente corporativo muitas vezes nos obriga a uma adaptação rígida. Você veste o personagem do diretor, do gerente ou do sócio e esquece como tirá-lo ao chegar em casa. Essa desconexão entre quem você precisa parecer e quem você realmente é gera um tipo de angústia muito específica: a sensação de que você é bem-sucedido na função, mas está vazio por dentro.

O "fundo" que não dá suporte

Imagine que a sua vida é uma figura tentando se destacar em um fundo barulhento. Hoje, o "fundo" — as exigências do mercado, a pressão por resultados imediatos e o medo da obsolescência — está tão pesado que não nos dá mais o suporte necessário para respirar.

Muitos homens sentem que estão pisando em areia movediça: precisam correr cada vez mais apenas para continuarem no mesmo lugar. Esse esforço contínuo para manter uma fachada de controle consome uma energia vital que deveria ser usada para o lazer, para a família e para o próprio prazer de viver. O resultado é o que vemos com frequência: homens que conquistaram tudo o que o mundo disse que deveriam ter, mas que se sentem profundamente sozinhos no topo.

O resgate da presença

A proposta de um trabalho terapêutico sério não é fazer você produzir menos ou ser um profissional menos competente. Pelo contrário. O objetivo é permitir que você volte a estar presente no que faz.

Recuperar o sentido da trajetória profissional exige a coragem de olhar para trás da máscara da eficiência. Significa entender que você pode ser um líder respeitado sem precisar ser uma máquina emocionalmente estéril. Afinal, uma estrutura que não tem flexibilidade é a primeira a quebrar quando a tempestade aperta.

Cleiton Pedrosa

Cleiton Pedrosa

Psicólogo Clínico • CRP • 02/29066

Orientado pela Gestalt-terapia com foco no universo masculino e suas angústias contemporâneas. Ofereço um espaço de escuta sóbria para homens que buscam desarmar suas defesas e recuperar autenticidade em suas trajetórias pessoais e profissionais.

Cleiton Pedrosa - Psicólogo

O sentido que buscamos nasce da integridade, não da superficialidade

Se você sente que é o momento de trocar a rigidez da perfeição pela honestidade de ser quem você é, a clínica é o espaço para esse ajuste de rota.