Você já esteve em uma reunião importante, ou até mesmo em um momento em família, e sentiu que, se as pessoas pudessem ver o que realmente passa na sua cabeça, elas perderiam o respeito por você? Essa sensação de ser uma "fraude" prestes a ser descoberta é o que muitas pessoas chamam de síndrome, mas que na psicologia preferimos olhar como um fenômeno.

A diferença é sutil, mas fundamental: uma síndrome sugere uma doença, algo que está "quebrado" em você. Já o Fenômeno do Impostor descreve algo que acontece na sua relação com o mundo. Não é um diagnóstico médico, é a experiência de sentir que o seu sucesso é fruto da sorte ou de um erro de julgamento dos outros, e nunca do seu próprio mérito. Para o homem, esse fenômeno costuma ser o preço de uma identidade construída sobre uma base rígida demais.

O cansaço de performar a própria vida

Durante a nossa trajetória, somos incentivados a construir uma espécie de fortaleza emocional. Aprendemos que ser homem é ter respostas, prover soluções e manter o controle. O problema é que, para sustentar essa fortaleza, muitas vezes precisamos expulsar de nós tudo o que soa como dúvida ou vulnerabilidade. O resultado? Uma vida que parece um palco, onde estamos sempre atuando o papel do "homem resolvido".

No livro Angústias Contemporâneas e Gestalt-terapia, discute-se como a sociedade atual nos exige uma eficiência constante. Para o homem, isso se traduz na necessidade de ser o pilar inabalável. Quando você se identifica apenas com a sua força, você começa a se alienar de quem realmente é. A angústia não é uma falha de caráter; é o sinal de que o seu organismo não aguenta mais sustentar uma imagem que não corresponde à sua realidade interna.

Na Gestalt, entendemos que esse "impostor" nasce de um ajustamento conservador. Você aprendeu que, para ser aceito e respeitado, precisava esconder suas incertezas. Com o tempo, essa máscara gruda no rosto. Você vence as metas e entrega resultados, mas por dentro vive em uma vigilância constante, temendo o momento em que "descobrirão" que você também sente medo, cansaço ou dúvida.

Da perfeição à integridade

Muitos homens chegam ao consultório exaustos, não pelo excesso de trabalho, mas pelo esforço hercúleo de manter as aparências. Acreditamos que a nossa segurança vem da invulnerabilidade, quando, na verdade, a segurança real nasce da integridade.

Ser íntegro não significa ser perfeito. Significa ser inteiro. É o processo de integrar suas fraquezas à sua força, suas dúvidas às suas certezas. Quando você para de tentar ser uma "fortaleza" e se permite ser um homem real, o fenômeno do impostor perde o solo onde cresce. Afinal, ninguém pode te "desmascarar" se você mesmo decidiu não usar mais disfarces.

Ocupar o lugar de homem no mundo hoje exige coragem — não a coragem de lutar contra os outros, mas a coragem de olhar para si mesmo sem as proteções habituais. A clínica é o espaço para esse desarmamento. É o lugar onde você pode, finalmente, deixar de ser um personagem projetado para os outros e começar a ser, de fato, o autor da sua própria história.

Cleiton Pedrosa

Cleiton Pedrosa

Psicólogo Clínico • CRP • 02/29066

Orientado pela Gestalt-terapia com foco no universo masculino e suas angústias contemporâneas. Ofereço um espaço de escuta sóbria para homens que buscam desarmar suas defesas e recuperar autenticidade em suas trajetórias pessoais e profissionais.

Cleiton Pedrosa - Psicólogo

Você não precisa carregar o peso do mundo sozinho

Se o esforço para manter as aparências está te esgotando e você deseja construir uma trajetória mais autêntica e íntegra, vamos conversar.