Muitos homens chegam à terapia como quem leva um carro à oficina. O pedido implícito é quase sempre técnico: "isso aqui quebrou, me ajude a consertar". Seja o casamento em crise, o estresse que tirou o sono ou uma produtividade que despencou, a busca inicial costuma ser por um reparo funcional.

Mas o que acontece entre as quatro paredes de um consultório — o chamado encontro clínico — é algo que nenhuma oficina ou manual de instruções pode prever. É, talvez, o ato mais subversivo e corajoso que um homem pode realizar na maturidade.

Do "falar sobre" ao "estar com"

Fritz Perls, o pai da Gestalt-terapia, costumava ser implacável com o que chamava de "fofoca emocional". Em suas obras A Abordagem Gestáltica e Testemunha Ocular da Terapia, ele nos lembra que falar sobre o passado ou explicar por que você faz o que faz é apenas outra forma de evitar o contato.

No universo masculino, somos mestres em racionalizar. Explicamos nossas falhas com lógica e nossas dores com estatísticas. O encontro clínico interrompe essa farsa. Ali, o desafio não é explicar o problema, mas perceber como você se sente aqui e agora enquanto o problema acontece. É a transição da "máquina que explica" para o "homem que sente". Quando o silêncio se instala e o nó na garganta aparece, o reparo técnico dá lugar à vida real.

A elegância de ser quem se é

Joseph Zinker, em Em Busca da Elegância em Psicoterapia, traz uma visão que deveria ser apresentada a todo homem: a terapia como um processo estético e criativo. Muitas vezes, o homem se vê como um "projeto inacabado" ou "defeituoso". Zinker nos ensina que o terapeuta e o cliente são como dois artistas co-criando uma escultura.

A "elegância" na clínica não é sobre perfeição, mas sobre a harmonia entre as suas partes. É o momento em que você integra sua força e sua vulnerabilidade, sua ambição e seu cansaço. O encontro clínico é onde você descobre que não precisa jogar fora suas cicatrizes para ser inteiro; você aprende a usá-las para compor uma forma de viver mais autêntica e menos rígida.

O fim do mito do "lobo solitário"

Como bem pontua Lori Gottlieb em Talvez você deva conversar com alguém, a maior revelação da terapia é descobrir que nossas dores são profundamente humanas e universais. O homem frequentemente sofre de uma "solidão de performance" — ele acredita que é o único que falha, o único que sente medo, o único que não sabe o que fazer.

No encontro clínico, essa armadura de invencibilidade é deixada no cabide. Ao ver o terapeuta também como um humano presente (e não um juiz de terno), o homem experimenta algo raro: ser visto sem precisar provar nada. Sentar e falar de si não é confessar fraqueza; é declarar independência de um papel que não te serve mais.

O que acontece, afinal?

O que acontece é um ajuste criativo. Você entra buscando uma solução e sai encontrando uma presença. O encontro clínico é o laboratório onde você deixa de ser o espectador da sua própria história para se tornar o autor — descobrindo que, para o rio correr sozinho, às vezes você só precisa parar de tentar represar as próprias águas.

Cleiton Pedrosa

Cleiton Pedrosa

Psicólogo Clínico • CRP • 02/29066

Orientado pela Gestalt-terapia com foco no universo masculino e suas angústias contemporâneas. Ofereço um espaço de escuta sóbria para homens que buscam desarmar suas defesas e recuperar autenticidade em suas trajetórias pessoais e profissionais.

Cleiton Pedrosa - Psicólogo

Você já se permitiu ser ouvido sem a necessidade de performance?

O encontro clínico é um espaço de liberdade para quem cansou de carregar certezas que pesam demais. Se você sente que está na hora de trocar o "explicar" pelo "viver", eu te convido para esse encontro.