Você já chegou ao final de uma semana produtiva com a sensação de que não viveu um minuto sequer para si mesmo? Para muitos homens, a rotina se transformou em uma sucessão de reações: reagimos ao despertador, às demandas da empresa, aos problemas da família e às expectativas da sociedade.

O problema é que, quando passamos a vida apenas reagindo, deixamos de ser os autores da nossa própria trajetória. Entramos no que a Gestalt-terapia chama de "perda da consciência no aqui e agora".

O custo de dizer "sim" para tudo

Em sua reflexão sobre o Essencialismo, Greg McKeown faz uma provocação necessária: "Se você não priorizar sua vida, alguém fará isso por você".

Para o homem que assumiu o papel de "solucionador universal", o automático é uma armadilha de produtividade. Ele acredita que ser eficiente é dar conta de todas as frentes, mas acaba se perdendo na "trivialidade de quase tudo". O essencialismo na vida emocional não é sobre fazer mais em menos tempo, mas sobre ter a coragem de escolher o que realmente importa. Quando não escolhemos deliberadamente para onde nossa energia vai, o fluxo da nossa vida para de nos pertencer e passa a ser ditado pelo ruído externo.

Sair da cabeça e voltar para o mundo

Fritz Perls, o pai da Gestalt-terapia, costumava dizer que precisamos "perder a cabeça para recuperar os sentidos". No piloto automático, vivemos excessivamente dentro dos nossos pensamentos — planejando o próximo passo, antecipando crises ou remoendo o passado.

Enquanto estamos "na cabeça", o corpo e o momento presente ficam órfãos. Paramos de notar o sabor da comida, o tom de voz de quem amamos e até os sinais de esgotamento que o nosso próprio organismo emite. Sair do automático exige um esforço de presença: é o ato de notar onde os seus pés estão tocando o chão agora. É o resgate da percepção clara sobre o que você está sentindo, e não apenas sobre o que você "deveria" estar fazendo.

Não apresse o rio: a confiança no fluxo

Existe uma ansiedade masculina muito específica que tenta controlar cada detalhe do futuro. Queremos forçar resultados, acelerar processos e garantir que nada saia do trilho. É aqui que a lição de Barry Stevens se torna um bálsamo: "Não apresse o rio, ele corre sozinho".

Essa frase não é um convite à passividade, mas à sobriedade. Entender que a vida tem um ritmo próprio e que nem tudo está sob o nosso controle direto nos permite relaxar os ombros. Quando paramos de "empurrar o rio", sobra energia para nadar nele. Recuperar o sentido da vida no automático é aprender a confiar novamente no próprio fluxo, agindo onde é possível e respeitando o tempo das coisas que não dependem apenas da nossa vontade.

O despertar do piloto automático

A transição da reação para a escolha consciente começa com pequenas pausas. Se você sente que a sua vida se tornou uma lista interminável de tarefas, tente um breve exercício de essencialismo e presença:

  • Identifique o ruído: Qual é a demanda que você está atendendo hoje apenas por "hábito" ou medo de desagradar, mas que não tem mais sentido para você?

  • Sinta o ritmo: Respire fundo e perceba: onde você está tentando apressar o rio hoje? O que aconteceria se você apenas acompanhasse o movimento natural dessa situação por alguns instantes?

Sair do automático não é uma mudança radical de cenário, mas uma mudança de postura. É o compromisso de estar inteiro onde quer que você esteja. Se você sente que sua vida está correndo sem você, talvez seja o momento de buscarmos, juntos, o ponto onde você se perdeu do seu próprio fluxo.

Cleiton Pedrosa

Cleiton Pedrosa

Psicólogo Clínico • CRP • 02/29066

Orientado pela Gestalt-terapia com foco no universo masculino e suas angústias contemporâneas. Ofereço um espaço de escuta sóbria para homens que buscam desarmar suas defesas e recuperar autenticidade em suas trajetórias pessoais e profissionais.

Cleiton Pedrosa - Psicólogo

Vamos resgatar a autoria da sua vida?

Se você sente que a vida está passando por você e deseja sair do automático, meu convite é para uma escuta sóbria e presente.